Uma operação de grande porte contra o tráfico de drogas atingiu Curitiba e a Região Metropolitana e terminou com nove pessoas presas nesta terça-feira (25). A Polícia Civil do Paraná cumpriu ordens judiciais em endereços de Curitiba, Pinhais e Piraquara durante uma investigação que busca desarticular uma organização suspeita de atuar na comercialização e distribuição de cocaína.
Dos nove presos, seis foram detidos por mandados de prisão preventiva. Outras três pessoas acabaram presas em flagrante durante o cumprimento das buscas. Ao todo, foram executados 19 mandados de busca e apreensão, com apoio de cães farejadores da Polícia Civil. Após as prisões, os investigados foram encaminhados ao sistema penitenciário.
Mais de sete quilos de cocaína e dez veículos
O material apreendido ajuda a mostrar a dimensão da estrutura investigada. Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, foram encontrados mais de sete quilos de cocaína prensada, aproximadamente 100 gramas da droga já porcionada para venda, porções de maconha, uma prensa utilizada na preparação dos entorpecentes, dois simulacros de armas de fogo e dez veículos.
A Justiça também autorizou o bloqueio de contas bancárias dos investigados em valores que podem chegar a R$ 5 milhões. O objetivo da medida é atingir financeiramente a estrutura suspeita e impedir a movimentação de recursos associados às atividades investigadas. É importante destacar que o valor de R$ 5 milhões representa o limite autorizado para o bloqueio e não significa, necessariamente, que todo esse dinheiro tenha sido localizado nas contas.
Durante a investigação, a polícia também identificou registros de transferências superiores a R$ 1 milhão, além dos veículos que foram alvo das medidas judiciais. A apuração financeira continua e deverá ajudar os investigadores a entender o caminho do dinheiro movimentado pelo grupo.
Cocaína era misturada e prensada novamente
Um dos detalhes que mais chamaram atenção foi descoberto dentro de uma das residências investigadas. Os policiais encontraram três liquidificadores que, segundo a investigação, eram utilizados para misturar cocaína de maior pureza com outras substâncias de aparência semelhante, incluindo bicarbonato de sódio. Depois da mistura, o material era novamente colocado em uma prensa e preparado para comercialização.
A prática permitiria aumentar a quantidade de produto disponível para venda, reduzindo a concentração original da droga antes que ela chegasse aos compradores.
Motoboys fariam entregas diretamente aos usuários
As investigações indicam ainda uma estrutura de distribuição que ia além da venda convencional. De acordo com o delegado Rodrigo Brown, um dos homens investigados estaria administrando novamente um grupo voltado ao tráfico de drogas e contaria inclusive com motoboys responsáveis por realizar entregas diretamente aos consumidores.
A cocaína também seria repassada para traficantes menores que atuavam na região de Curitiba, formando uma cadeia de distribuição que alcançava diferentes pontos da capital e da Região Metropolitana.
Com as diligências de campo e o trabalho de inteligência, a Polícia Civil afirma ter conseguido identificar integrantes e mapear funções dentro da organização investigada. Essas informações serviram de base para os pedidos de prisão e para as demais medidas autorizadas pela Justiça.
Investigação começou após prisão em 2022
A origem da operação remonta a 2022, quando um dos suspeitos foi preso no bairro Alto, em Curitiba, com tabletes de cocaína e uma prensa utilizada para drogas. Depois de deixar a prisão, segundo a PCPR, ele voltou a ser investigado sob suspeita de retomar atividades relacionadas ao tráfico.
As novas informações levaram os policiais a aprofundar o monitoramento e identificar uma possível rede organizada ao redor do investigado. O mesmo homem acabou novamente capturado na operação desta terça-feira.
Polícia tenta atingir o tráfico também no bolso
Além das prisões e apreensões, um dos principais objetivos da operação é descapitalizar o grupo investigado. É justamente nesse ponto que entram o bloqueio milionário de contas e o sequestro dos veículos relacionados à investigação.
A estratégia busca impedir que recursos supostamente provenientes do tráfico continuem financiando novas compras de drogas, veículos, logística e outras estruturas necessárias para manter a atividade criminosa.
Com nove pessoas presas, mais de sete quilos de cocaína retirados de circulação, dez veículos apreendidos e até R$ 5 milhões sujeitos a bloqueio, a operação representa uma das ações de maior porte contra o tráfico registradas nesta semana na Grande Curitiba.
Mas o trabalho ainda não terminou. A Polícia Civil continua analisando a movimentação financeira, os materiais apreendidos e a atuação de cada investigado para determinar a extensão da rede e identificar se existem outros integrantes.
Agora, a investigação tenta responder principalmente até onde chegava a estrutura de distribuição de cocaína e quanto dinheiro efetivamente passou pelas mãos do grupo antes da operação policial.