O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, alertou nesta segunda-feira (24) para o avanço de modalidades de crédito caras e sem garantia, em meio à manutenção do endividamento das famílias em nível elevado.
Segundo ele, o crescimento recente da dívida tem sido puxado principalmente por linhas usadas para consumo e despesas recorrentes, o que preocupa.
“Não dá para ficar contente porque o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu”, afirmou Galípolo durante participação no Febraban Tech.
O presidente do BC ressaltou que o avanço das dívidas ocorre a despeito da melhora no mercado de trabalho.
Em junho, a taxa de desemprego caiu para o nível mínimo de 5,4%, enquanto a renda disponível das famílias atingiu o recorde de R$ 822 bilhões em maio.
Para Galípolo, o ponto de atenção está no perfil do crédito contratado.
Ele diferenciou dívidas que contribuem para a formação de patrimônio, como o financiamento imobiliário, daquelas usadas para despesas que não resultam em um ativo.
“Nem todo tipo de endividamento é um problema. Comprar uma casa, por exemplo, gera um ativo. O problema é quando a dívida é usada para algo que não se transforma em ativo, principalmente quando envolve juros elevados”, disse Galípolo.